Núm. 30 (2018): Bioeconomía y Memoria Ecológica de los Territorios: Transdisciplinariedad para un Futuro Sostenible
Artículos

Territórios negros urbanos em São Carlos- SP (Brasil) no Pós-abolição

Joana D'arc Oliveira
Instituto de Arquitetura e Urbanismo - USP
Biografía
Maria Angela P. C. S. Bortolucci
Instituto de Arquitetura e Urbanismo - USP
Biografía
Coordinadores: Eduardo Corbelle Rico, Marco V. García Quintela e María Loureiro García
Publicados diciembre 20, 2018

Resumen

Analisa o processo de configuração dos territórios negros urbanos no pós-abolição no município de São Carlos-SP (Brasil) tendo como referência o bairro Vila Isabel e a trajetória e o espaço doméstico de Geralda Fermiano. A cidade foi uma das regiões que integrou o conjunto de municípios paulistas que teve a economia alicerçada na cafeicultura alavancada principalmente pelo trabalho escravo de homens e mulheres em meados do século XIX. O município contou com um número considerável de cativos desde o início de sua ocupação, passando de 1.568 no ano de 1874 para 3.725 em 1885. Com a abolição do sistema escravista em 1888, que resultou da luta, da atuação e da resistência dos abolicionistas, muitos deles negros livres e escravos, o espaço urbano se tornou locus de ocupação para grande parte desses sujeitos que optaram pela "vida nas cidades". As leis e códigos de posturas que vigoravam no período tomaram para si, desde o fim da escravidão, o papel de expulsar, impedir e marginalizar a massa de libertos. Em São Carlos, uma das estratégias segregacionistas encampadas pelo Estado e pela sociedade civil, foi a criação de loteamentos nas franjas da área urbana que, não por acaso, abrigaram uma população pobre e majoritariamente negra, como é o caso da Vila Isabel. Nesses lugares, homens e mulheres negros criaram e recriaram seus territórios, trazendo para si a responsabilidade pela preservação, manutenção e transmissão de seus legados culturais. A partir do mapeamento e registro desses territórios o artigo explora importante referencial teórico, dialogando com autores como Hebe Mattos, Ana Lugão Rios, Eric Foner, Kimberlé Crenshaw, Sidney Chalhoub, Walter Fraga Filho, Simoni Guedes entre outros. Contribui para o processo de visibilidade, conhecimento e valorização do patrimônio cultural das populações negras do Brasil.