Vol 11 (2019)

Pescuda

Os pronomes clíticos em contextos infinitivos no português antigo
Sandra Pereira
1-27
30-07-2019
O fenómeno da subida do clítico é amplamente referido na literatura como uma propriedade dos complexos verbais seja na construção de reestruturação (Rizzi 1982) seja na construção Fazer-Inf (Kayne 1975). Através de um estudo quantitativo a partir de três textos literários, este trabalho tem como objetivo descrever a colocação dos pronomes clíticos em português antigo. São inspecionados dois contextos específicos: i) complexos verbais de reestruturação (para identificar quais os verbos que a permitiam em português antigo) e ii) orações de infinitivo simples e flexionado preposicionadas (para verificar se a preposição é determinante para a posição do clítico, partindo das assunções feitas por Martins 1994 de que, ao longo do século XIII e na primeira metade do XIV, havia instabilidade no padrão de colocação dos pronomes clíticos). No final, verificar-se-á que o padrão de colocação dos pronomes clíticos nas orações de infinitivo simples introduzidas por preposição contribui para a clarificação da fidelidade das cópias tardias de dois textos originais do século XIII.
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1-27
Redobro de clítico em português europeu
Catarina Magro
29-75
31-07-2019

Este artigo investiga a construção de redobro de clítico (RC) em português europeu (PE), que se caracteriza pela dupla expressão de um argumento através de um clítico e de um pronome forte. Em PE, esta construção manifesta-se obrigatoriamente em contextos discursivos e sintáticos em que o clítico, enquanto elemento átono e necessariamente adjacente a um hospedeiro verbal, não pode receber acento prosódico nem participar em construções que requerem autonomia morfossintática. O padrão altamente restritivo da configuração de redobro nesta língua opõe o PE a outras línguas românicas, como o espanhol ou o romeno, em que o RC pode manifestar-se opcionalmente com expressões nominais plenas. Neste trabalho, procuro explicar o contraste entre o RC em PE e noutras línguas propondo que à designação de RC correspondem duas construções distintas. Concretamente, defendo que em PE o clítico não é a manifestação do redobro de um argumento, como é tradicionalmente assumido nas análises para outras línguas, mas o próprio argumento redobrado. Na análise que apresento, clítico e pronome forte estão associados por movimento e a configuração de redobro resulta da produção das duas cópias da cadeia de movimento para satisfação de um requisito em PF. O RC em PE é, nesta perspetiva, um fenómeno de interface que envolve duas operações independentemente motivadas: o movimento sintático do clítico para cliticização ao hospedeiro verbal e a realização do pronome forte em PF para atribuição de acento prosódico.

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29-75
Política lingüística familiar. O papel dos proxenitores pro-galego na transmisión interxeracional
Anik Nandi
77-101
30-07-2019

Nunha sociedade bilingu?e cada individuo adulto ten as su?as propias pra?cticas lingu?i?sticas e crenzas sobre a eleccio?n do idioma dentro da familia; polo tanto, as pra?cticas lingu?i?sticas no a?mbito familiar son sumamente importantes para entender o proceso de transmisio?n interxeracional dunha lingua desfavorecida. O principal obxectivo deste traballo e? investigar as estratexias para a transmisio?n interxeracional do galego no contexto familiar dos ha?bitats urbano e peri-urbano. Cun enfoque etnogra?fico, analizarase a axencia dos proxenitores pro-galego que, a trave?s das su?as crenzas e pra?cticas lingu?i?sticas individuais, desempen?an un papel relevante na revitalizacio?n e mantemento da lingua fo?ra da escola, concretamente na familia. Para este estudo entrevista?ronse proxenitores que pasaron polo sistema educativo de Galicia a partir de 1975 e viviron as primeiras poli?ticas lingu?i?sticas da Autonomi?a. A trave?s de datos etnogra?ficos, anali?zanse notas de campo e observacio?ns, entrevistas semi-estruturadas cos proxenitores de Santiago de Compostela e Bertamira?ns e dous grupos de discusio?n en Vigo e Santiago. Neste estudo tame?n se propo?n unha aproximacio?n de conceptos sociolingu?i?sticos como poli?tica lingu?i?stica familiar e os seus efectos inmediatos na pra?ctica lingu?i?stica a nivel micro, a planificacio?n das linguas na familia e as estratexias que os proxenitores utilizan para transmitir a lingua galega.

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77-101
Fluctuación prefijal en el gallego-portugués y en el castellano medievales
Graça Rio-Tortocommon.commaListSeparatorMailson Lopes
103-136
30-07-2019

En el gallego-portugués medieval y en el castellano antiguo coexisten verbos corradicales con y sin prefijo (acuydar y cuydar, esguardar y guardar), semánticamente equivalentes o aproximados. Paralelamente, en el portugués y en el castellano actuales hay formas como agradecer, otrora no prefijados (gradecer). Ambos procesos de pérdida o añadidura prefijales actúan involucrados en flujos de variación y cambio, resultando comúnmente en el solapamiento de una de las voces, durante o tras el medievo. Se propone una reflexión sobre las motivaciones de estos diferentes trayectos prefijales, considerándose la estructura de la base verbal, la naturaleza del prefijo, en el latín y en romance, y factores de naturaleza externa que pueden estar en la base de la coexistencia, durante varios siglos, de dos formas corradicales o de la pérdida de tal convivencia.

 

 

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103-136
Sujeito Nulo e Ordem Verbo-Sujeito no português brasileiro: análise diacrônica
Maria Eugênia Lammoglia Duartecommon.commaListSeparatorHumberto Soares da Silva
137-165
30-07-2019
Este artigo apresenta evidências empíricas de que a mudança na remarcação do valor do Parâmetro do Sujeito Nulo no português brasileiro desencadeia o aparecimento de outras estruturas elencadas entre os feixes de propriedades relacionadas às línguas [+Sujeito Nulo] do grupo românico. A pesquisa se baseia em evidências diacrônicas e sincrônicas, que provêm de estudos que analisaram os diferentes fenômenos, todos associados a propriedades do Parâmetro do Sujeito Nulo, a partir das falas de roteiros de peças de teatro escritas no Rio de Janeiro ao longo dos séculos 19 e 20 e de entrevistas sociolinguísticas com falantes cariocas. Ao comparar, sistematizar e analisar os resultados desses estudos em conjunto, mostramos que, à medida que os sujeitos pronominais, tanto de referência definida quanto indeterminada, se tornam pronomes foneticamente realizados, a ordem verbo-sujeito é afetada, tanto em estruturas com verbos inacusativos como em interrogativas Q. A realização fonética do sujeito expletivo, que seria um efeito colateral esperado para essa mudança, não é atestada. No entanto, outras estratégias são implementadas no sistema, entre as quais o alçamento de constituintes para evitar um expletivo nulo, o que é compatível com um sistema com proeminência de tópico, que caracteriza o português brasileiro.
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137-165
<i>Consirar</i> e <i>entender</i> em português – elementos para um estudo diacrónico
Maria Teresa Brocardo
167-196
30-07-2019

Em português contemporâneo, verbos como considerar e entender contrastam nos seus usos mais ‘lexicais’, mas aproximam-se no seu funcionamento em construções nas quais são gerados valores caraterizáveis como epistémicos, no sentido em que há uma marcação linguística da validação subjetiva do que é expresso. No presente trabalho pretende-se investigar os fatores que terão determinado, em diacronia, a emergência desses valores, vindo, portanto, a determinar uma convergência (necessariamente não plena) entre considerar e entender nos seus usos (mais) gramaticais, sempre considerando a oposição ‘lexical’ / ‘gramatical’ como uma oposição não discreta. Tendo em vista este objetivo, apresentam-se e discutem-se dados relativos a consirar e entender recolhidos em textos dos períodos antigo e médio da história da língua portuguesa (séculos XIII a XV), que foram selecionados em função da datação dos testemunhos, diversidade genológica e fiabilidade das edições. Identificam-se as várias construções em que consirar e entender ocorrem e assinalam-se diferentes tipos de fatores que aparentemente determinam a possibilidade de leituras epistémicas. Os dados levantados evidenciam diferentes fases do processo de emergência de valores epistémicos entre os dois verbos, mas revelam também, aparentemente, a interferência de fatores contextuais do mesmo tipo na emergência desse tipo de interpretação, o que teria determinado a sua tendencial convergência nos usos epistémicos. Conclui-se com breves notas sobre caminhos a explorar no alargamento futuro da investigação, nomeadamente incluindo outras formas / construções em competição, quer com verbos, como achar e julgar, que sincronicamente mostram restrições de ocorrência distintas de considerar e entender, quer com os verbos haver e ter, que exibem funcionamentos tipicamente mais gramaticalizados, e que no passado da língua podiam também, em diferentes construções, ter valores caraterizáveis como epistémicos.

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167-196
La expresión epistémica <i>si cuadra</i> en español de Galicia
María José Rodríguez Espiñeira
197-231
30-07-2019

El objetivo de este trabajo es analizar el empleo de la forma si cuadra como marca de posibilidad epistémica en español de Galicia. Se explora la hipótesis de que dicho empleo sea el resultado de un fenómeno de transferencia o calco del adverbio gallego se cadra, documentado en esta lengua desde el siglo XIX. Los datos recopilados para el español, tanto de corpus como de internet, revelan que en diferentes variedades del español se emplea si cuadra como cláusula parentética reducida con la forma de una prótasis condicional, con valor de “si es conveniente” (español general) o de “si es oportuno” (al menos en español peninsular noroccidental y canario). La comparación entre la formación adverbial y la cláusula parentética reducida de la que proviene permite identificar los cambios sintácticos que explican el proceso de fijación y adverbialización de la construcción. En el trabajo también se discute cuál es la trayectoria que propicia el cambio semántico; con datos del portugués, del gallego y del español se postula que la construcción fuente no es aquella en la que cuadrar, cadrar o calhar expresan conveniencia (Pinto de Lima 2008 para el portugués), sino la de evento casual, fruto de azar, en línea con el análisis propuesto por López Couso / Méndez Naya (2017) para algunas expresiones epistémicas del inglés. El trabajo está basado en datos obtenidos de varios corpus, entre los que destacan el TILG (gallego) CdP (portugués), CdE, ESLORA y los corpus académicos para el español.

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197-231
A ideoloxía no <i>Dicionario da Real Academia Galega (DRAG)</i>
Susana Rodríguez Barcia
265-303
30-07-2019
O obxectivo deste estudo é analizar a ideoloxía do Dicionario da Real Academia Galega(DRAG) tendo en conta o seu carácter lexitimador na sociedade, así coma a relevancia da súa presenza nos eidos da educación e da aquisición da lingua. En concreto, os resultados clasifícanse nos ámbitos da relixión, a política e os temas de xénero. Para acadar o fin exposto realizouse unha lectura exhaustiva do repertorio aloxado na páxina web da RAG, incluíndo as actualizacións máis recentes acometidas ao longo de 2018. Como resultado obtívose un corpus composto por 808 artigos lexicográficos, cuxa forma lematizada recóllese como apéndice para poder servir de guía en traballos complementarios posteriores. Os 808 artigos foron sometidos a análise lingüística desenvolvida con perspectiva crítica seguindo a metodoloxía da análise crítica do discurso lexicográfico (Autor 2012 e 2016b). Entre as conclusións fundamentais destaca a continua actualización da obra analizada, na que se constata unha preocupación pola busca de neutralidade nas definicións e un interese por ofrecer unha cosmovisión ampla, non reducida ás ideoloxías dominantes. Con todo, tamén é preciso sinalar que a análise revela un traballo intenso no futuro no relativo á adaptación deste dicionario a algunhas das medidas da linguaxe inclusiva que permitan maior visibilidade da muller, así como unha revisión da representación do catolicismo como relixión por defecto.
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265-303
Rasgos de continuidad del gallego en documentos del monasterio de San Andrés de Espinareda (León) en el siglo XIII
Patricia Giménez Eguíbarcommon.commaListSeparatorM.ª Nieves Sánchez González de Herrero
305-337
30-07-2019
La finalidad de este trabajo es exponer una serie de rasgos lingüísticos contenidos en documentos notariales del siglo XIII, custodiados en el monasterio de San Andrés de Vega de Espinareda (El Bierzo, León), que muestran, en distinto grado, la continuidad del gallego en el registro escrito y su convivencia con soluciones del asturianoleonés occidental, comunes en ocasiones, diferentes otras veces. Hemos seleccionado rasgos pertenecientes a los niveles graficofonético, morfosintáctico y léxico, puesto que en los tres puede observarse la continuidad. Se trata de un análisis básicamente descriptivo, a partir de los datos que ofrecen los testimonios manejados, datos que se comparan con los que conocemos para las variedades lingüísticas del entorno geográfico más próximo en la Baja Edad Media. A partir de esta comparación se pone de manifiesto la distribución geográfica de las voces y rasgos estudiados, que muestran diferencias, con distintos grados de extensión y, en definitiva, prueban la existencia del continuo dialectal y la falta de fronteras lingüísticas nítidas entre las variedades colindantes.
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305-337